Pássaro de Corda
As melhores ideias são as que sobrevivem e acabam por ser reforçadas pela oposição inteligente.
28 de Maio de 2012
Mais privado, menos Estado
In Açoriano Oriental, 24 de maio de 2012
10 de Maio de 2012
O pão que o ocidente amassou?
Anders Breivik provou ao mundo, se mais uma vez fosse
necessário, o que o Homem tem de pior. Além da carnificina (77 mortos), também
a frieza e o calculismo com que terá engendrado todo o seu plano. Mas Breivik
não é, lamentavelmente, um caso único e isolado. Há muito tempo que o fenómeno
de contestação da sociedade multicultural deixou de ser representado por um
amontoado de neo-nazis, ou cabeças rapadas, que se juntavam no bar da esquina
para beber cerveja e pintar suásticas nas paredes do bairro. Este foi um
cenário, agora naive, dos anos 80 e 90 do século passado. Como as coisas
mudaram. Um progressivo e forte crescimento económico em todo o ocidente das
últimas décadas fez com que deixássemos de ouvir falar destes episódios, que
passaram à condição de quase esporádicos. No entanto eis que ressurgem agora,
em força, mortíferos e inesperados, numa época de profunda crise económica e de
falta de emprego um pouco por toda a Europa. Breivik, para nosso mal, não é um
caso isolado, e enquanto não arrumarmos os atuais desequilíbrios financeiros e
económicos, e retomarmos o rumo do crescimento económico, em qualquer altura
surgirão outros Breivik’s que, sob formas diversas, colocarão em causa o frágil
equilíbrio das sociedades multiculturais ocidentais. E, qual espetro do
terrorismo muçulmano, ele quis demonstrar que existe um terrorismo ocidental,
capaz de provocar vítimas entre os seus concidadãos. E como não bastasse,
Breivik deixa uma questão complicadíssima para a justiça responder: é que se
não o absolverem, deverão condená-lo à morte. Enfim, um verdadeiro e
labiríntico pesadelo!
A regra é falar da crise, a exceção é solucioná-la
Não fujo à regra estabelecida, de comentar os tempos difíceis
por que estamos passando. Palavra tantas vezes dita e repetida, a crise, está aí, com todas as consequências que
ela acarreta, alimentada também por um faz que anda, mas que, na verdade, não
anda muito. A solução é complexa, necessita de reformas estruturais, de
políticas adaptadas aos tempos que vivemos, e sobretudo precisa de tempo. A
crise não é apenas de origem económica. Antes fosse, pois assim teríamos, como
no passado, outras formas de rapidamente sairmos dela. É também das finanças
públicas. E a realidade é inegável: o Estado Português estava falido. E se há
quem repita esse fato até à exaustão, não é porque admire o dramatismo da
expressão, mas antes porque não havia mesmo dinheiro para suportar os gastos do
Estado de curto, de médio e de longo prazo. E quem não tem dinheiro, ou porque
não o soube gerir, ou porque gastou para além das suas possibilidades, pede
emprestado, e sujeita-se às regras definidas por quem empresta. No entanto,
como muitos portugueses, acredito que uma nova consciência e uma nova ordem de
valores políticos, éticos e sociais, possam novamente colocar-nos no caminho da
prosperidade económica e do crescimento do emprego. O que não se entende é que
alguns responsáveis políticos nos queiram lavar o cérebro e convencer-nos que
afinal não foi nada com eles. A memória não nos traiu!
publicado em Açoriano Oriental, 10 de maio
8 de Maio de 2012
Simples, portátil e acessível
Sonhei hoje com o Ikea. E não tenho por hábito falar em público nem dos sonhos que tenho, nem muito menos das marcas com que sonho. Como sou madrugador, cirandei pela casa em silêncio para ver se temos algum móvel ou objeto da marca, nem que fosse uma inútil e moderna pá do lixo com design sueco, mas não encontrei nada. O Ikea nunca entrou nesta casa. Apenas, por acaso. Mas porquê a homenagem? Ikea é uma ideia de simplicidade e de leveza no mundo dos negócios, inspiradora e engenhosa, que alia, por vezes, em um simples objeto utilidade, simplicidade, design, e, muito importante, o preço. E, ao invés de passarmos o tempo a contemplar melancolicamente o sucesso sueco, que não nos trará inversamente sucesso, estudemos o conceito e adaptemo-lo, dentro das nossas capacidades e limitações, à nossa realidade, seja no escritório, na indústria, no estúdio, na empresa, etc. Não creio que se vejam resultados ao final do dia, mas num prazo de seis meses, alguma coisa mudou. E para melhor!
29 de Abril de 2012
23 de Abril de 2012
O 25 de abril é meu, é teu, é de toda a gente
Fiquei a saber pelo Publico online que o ex-Primeiro Ministro de Portugal, ex-Presidente da República do mesmo país, Mário Soares, não vai estar presente nas comemorações oficiais do dia 25 de abril deste ano, em solidariedade para com a associação com o mesmo nome, 25 de abril.
Seguiram-se, segundo foi também noticiado, Manuel Alegre, Jorge Sampaio. Quantos mais se seguirão?
Basicamente, a razão para tal acontecer prende-se com o fato do "atual poder político - entenda-se, o governo de Passos Coelho - deixou de refletir o regime democrático herdeiro do 25 de abril."
Perdoe-se o equívoco à dita agremiação e ao dito ex-governante, ou respeite-se a decisão, como fez o PP, mas essa atitude revela a indiferença, para já não falar de desprezo, por uma data simbólica e de referência. Numa época em que muitos jovens desconhecem por completo as lições de abril, onde pára o discurso e a ação pedagógica que caracterizou essa esquerda moderna e vanguardista? Não, não vão! Apenas porque não gostam do atual governo Passos-Portas?; Ou não vão porque não conseguem esconder o embaraço de sete anos de governação e gestão pública desastrosa, da responsabilidade do partido em que se suportam, e que levou o país à quase ruína económica e financeira?; Ou não irão porque com a direita no poder, o sentimento de superioridade de esquerda vanguardista não se coaduna com o espírito reformista e disciplinador, sobretudo no aspeto das finanças públicas, da direita de Passos-Portas? Ou estão apenas a tirar aproveitamento político de um momento difícil em que todos nós, enquanto coletivo, passamos?
Em súmula, o 25 de abril não é para todos. Alguns reclamam-no como sua pertença. Os outros, os que na quarta feira se apresentarem nas comemorações, quiçá se tenham açambarcado impropriamente da braveza e da valentia dos capitães e políticos que lutaram pela Revolução?
E daqui se extrai a lição. Quero crer que não tanto de democracia...
21 de Abril de 2012
Opções de Livros para Dia Mundial
Segunda feira, dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro, a opção é Sua!
Persépolis, a história de uma infância e a história de um regresso, Marjnae Satrapi, Contraponto;
A Investigação, Fhilippe Claudel, Sextante Editora;
Rostos na Multidão, Valeria Luiselli, Bertrand Editora;
Ar de Dylan, Enrique Vila-Matas, Teodolito;
A Decadência do Ocidente, Dambisa Moyo, Bertrand Editora;
Últimas Notícias do Sul, Luís Sepúlveda, Porto Editora;
Pensamento de Sá Carneiro, Maria Antónia Pires de Lima, Clube do Autor;
Informação, uma história, uma teoria, um dilúvio, James Gleick, Temas e Debates;
Viver Perigosamente, iluminação espiritual para momentos invulgares, Osho, Pergaminho;
1Q84, vol. II, Haruki Murakami, Casa das Letras;
Revolução ou Transição? História e memória da Revolução dos cravos, Coordenação de Raquel Varela, Bertrand Editora;
O Legado de Humboldt, Saul Bellow, Quetzal;
O Outro Amor da Vida Dele, Dorothy Koomson, Porto Editora;
O Futuro do Poder, Joseph S. Nye Jr., Temas e Debates;
Pensar, Depressa e Devagar, Daniel Kahneman, Temas e Debates;
A Próxima Década, onde temos estado… e para onde nos dirigimos, George Friedman, Dom Quixote;
A Zona de Desconforto, Jonathan Franzen, Dom Quixote;
A Visita do Brutamontes, Jennifer Egan, Queztal;
O Rebate, J. Rentes do Carvalho, Quetzal;
Os Sítios sem Resposta, Joel Neto, Porto Editora;
A Pista de Gelo, Roberto Bolaño, Quetzal;
A Ilha de Arturo, Elsa Morante, Relógio d’Água.
13 de Março de 2012
Entre dois mundos
Não um, mas dois países. Um país que reage contra a adversidade, como fica testemunhado nas palavras de António Barreto, ao dizer que os portugueses estão a adaptar-se à crise. Um outro país que se esgota na sua irresponsabilidade leviana e inconsequente, como fica demonstrado num Jerónimo de Sousa de retórica gasta, quando responsabiliza o atual Primeiro Ministro pela possibilidade de morte antecipada de muitos portugueses. É conveniente dizer que há dias em que algumas pessoas parecem perder a compostura, até mesmo as suas frágeis convicções.
Mas, pelo meio destes raciocínios recheados de nitroglicerina, deveria prevalecer algum bom senso, que tanto anda a faltar em alguns cidadãos.
Eu quero acreditar no país número um, no tal país que António Barreto diz que se está a adaptar à crise, que trabalha honestamente, que se esforça, que resiste, que espera que dias melhores cheguem depressa. Quanto ao país de Jerónimo de Sousa, com todo o respeito que me possa merecer, vou ali e já venho. Este país - o da demagogia e da manipulação -, não obrigado!
7 de Março de 2012
Globalização ao mais alto nível
Dilma Roussef – Brasil – e Ângela Merkel – Alemanha –
inauguraram juntas uma feira de tecnologia na Alemanha, mergulhando dentro de
água um tablet Fujitsu para provar a resistência do aparelho à água. A marca –
Jujitsu – é japonesa.
Vamos, então, a contas: uma brasileira e uma alemã a
promover uma marca japonesa, cujo nome tem origem indiana. Isto é, nem mais,
nem menos, do que a globalização ao mais alto nível.
Se não me engano, e a memória não me falha, Anthony Giddens
definiu a globalização como um sistema de relações internacionais complexas,
por um lado, e como um sistema mundial de produção e comercialização de bens e
serviços sem reservas à escala mundial, por outro.
Mas acontece que os portugueses, com a descoberta do Brasil,
e com a viagem marítima para a Índia, foram pioneiros dessa mesma globalização.
Então, o que foi que nos aconteceu? Terá sido a mesma globalização madrasta do
nosso Portugalinho? Não teria sido mais justo que fosse Portugal a
apresentar-se ao lado da Alemanha a testar as performances técnicas de um
tablet japonês? Não teria sido mais cauteloso que Ângela Merkel se tivesse associado
a Portugal para se deixar fotografar a promover um produto português de
qualidade? Não teria sido até melhor se a nossa indústria tecnológica tivesse
dado à luz um tablet, sei lá, um Magalhães versão1.16? Onde falhamos, então? Mas, sobretudo, para onde temos de ir?
23 de Fevereiro de 2012
Fazer melhor é possível
Imagem partilhada pela amiga Maria João Cavaco hoje no Facebook.
A recessão económica por que estamos passando gera insegurança nas pessoas, e a insegurança pode gerar medo, pânico até. A queda do poder de compra, a ausência de poupança, a incerteza com que todos, sem expeção, temos de lidar, são "inputs" que não podemos apenas ignorar. Sim, eles moldam-nos! Sim, eles dão cabo da nossa paciência! Mas teremos de pensar assim?
Há uma coisa de que me convenci há alguns meses atrás: da inevitabilidade de termos de passar por um período de crise, mais ou menos longa, mais ou menos profunda. Inevitável. Ponto. Mas também a crise pode servir para fazermos alguma coisa de, não quero dizer melhor ou mais positivo, mas de diferente. Falo da mudança que uma crise arrasta consigo.
1. Mudança de comportamento perante o nosso status quo.
2. Alteração dos hábitos de consumo tradicionais.
Em plena crise, a forma como raciocinamos transmuta-se bruscamente, adaptamo-nos a gerir prioridades, a abdicar de coisas que considerávamos indispensáveis até há uns anos, revemos planos de férias e investimentos que pensávamos adquiridos. Talvez muitos de nós estejam a experimentar um "downsizing" que trará, a seu tempo, os seus frutos. Para muitos, contra-condicionar, num espaço de tempo relativamente curto, anos e anos de algum consumo excessivo e descontrolado (por vezes a compra de casa, de carro, apenas) é como ir para o ginásio e querer perder o excesso de peso numa semana, ou num mês. Nós só perdemos efetivamente peso com um plano de trabalho estruturado e de longo prazo. Não querendo entrar em política, que acaba por colocar uns contra outros, acredito que os governantes do meu país estejam a trabalhar por esta bitola. O futuro dirá. Eles ainda não levam um ano de governação. Deixemo-los trabalhar na tarefa de longo prazo. É aí que veremos os resultados.
Mas podemos fazer mais? Sem dúvida que sim. As crises puxam pela criatividade, nomeadamente na pesquisa de soluções duradouras e consistentes. O que cada um tem a fazer depende dele próprio, do quanto ele quer e pode fazer. Mas pode sempre fazer mais; Ou, em alguns casos, fazer melhor. A minha filha mais velha está a ler. Espero que ela perceba o valor e a importância que a leitura tem no desenvolvimento cognitivo e experimental de uma geração de quadros competitivos e num mundo que, gostemos ou não, está em permanente mudança.
21 de Fevereiro de 2012
Notas sobre um ex-País Grande?

Sem perceber bem porquê, hoje reli umas quantas páginas do livro Notas sobre um País Grande (Bill Bryson, Quetzal, 2006), por duas razões sem ordem aparente de importância: nostalgia de me rir com as piadas do autor; necessidade de esquecer as horas intermináveis de desfiles de carnaval que passam na TV, e que se realizam um pouco por todo o mundo. A mim parecem-me todos iguais e com falta de originalidade.
Não tenho nada contra o Carnaval, mas o Carnaval faz-me lembrar, em certo sentido, os Estados Unidos da América. Não perguntem mais, não vou responder.
Li e reli com profunda compenetração os sublinhados que fiz no livro do Bryson há seis anos atrás, havendo um que me saltou logo à vista: "(...) nos tempos que correm, há um vazio intelectual generalizado que é difícil de ignorar. O fenómeno é agora comummente conhecido por Estupidificação da América."
Parto do conceito de Estupidificação que vem definido em rodapé, e que diz o seguinte: "conceito de origem recente que significa baixar o nível de dificuldade ou conteúdo intelectual de algo".
A comprová-lo, duas citações exemplares. A primeira é de uma atriz conhecida: "Fumar mata. Quando se morre, perde-se uma parte muito importante da vida". A segunda é de uma cantora igualmente conhecida: "Sempre que vejo, na televisão, aqueles miúdos desgraçados a morrer à fome em todo o mundo, não consigo senão chorar. Quer dizer, eu adorava ser magra daquela maneira, mas não com aquelas moscas todas e morte e cenas". Bocas santas!
Contudo, e paradoxalmente, os E.U.A. é dos países que tem índices de investimento mais elevados em educação e investigação, é o maior exportador de cérebros do mundo, o que tem mais e melhores universidades, que tem mais forúns de desenvolvimento e think-tanks*, mais vencedores de Prémios Nobel do que todo o resto do mundo todo junto.
O que terá então acontecido? E, sobretudo, o que terá então falhado?
*think-tanks: são organizações de investigação políticas, que se dedicam à análise e elaboração de ideias a serem aplicadas à governação.
18 de Fevereiro de 2012
Winner of the 2011 Man Booker Prize
O autor de O Papagaio de Flaubert, regressou com um insólito e lúcido livro, a novela O Sentido do Fim, um livro em que o protagonista Tony Webster vê a sua vida passar rapidamente, e um dia é surpreendido pela existência de um diário deixado em testamento por um amigo, Adrian Finn, que se matara quarenta anos antes, depois de uma relação amorosa com a ex-namorada de Tony. Um livro escrito em registo extravagante. Tradução excelente de Helena Cardoso.
Trabalhar ou sambar: uma questão de prioridade
Meio país ficou deprimido com o anúncio do 1º Ministro de não conceder a trandicional tolerância de ponto na terça feira de carnaval; O outro meio país não gostou, encolheu os ombros, e compreendeu, em nome da razão e da sensatez, e vai seguramente trabalhar. Sem lamúrias, diga-se!
No entanto, são verdadeiramente fantásticas as reações de inúmeros líderes, desde políticos a sindicalistas, apelando à paralisação e à desmobilização dos trabalhadores, e instigando-os - diga-se, em bom português, manipulando-os - para uma "luta" que um dia (há cerca de 100 anos) foi desígnio legitimado por condições laborais opressivas, mais tarde metáfora, e nos dias que correm não vale mais do que uma inutilidade.
A luta de Karl Marx, a luta que mais tarde sairia da revolução bolchevique, que atravessou os campos do tempo do século XX, não faz mais sentido. Hoje, é uma luta platónica em torno de pacotes de ideais irrealistas, paradoxais e sem sentido de futuro. E sem sentido de responsabilidade.
Mas desenganem-se porque as revoluções não acabaram aqui. Acabou foi o seu tradicional motivo, ou os seus tradicionais motivos - a conquista por ideais de democracia e de liberdade, de progresso e de justiça. E estes valores ainda estão vigentes, e o que alguns destes líderes não percebem é que as revoluções não persistem sem manutenção ideológica, necessitam de alimento e devem adaptar-se às circunstâncias históricas que marcam cada época. Neste sentido o 1º Ministro Pedro Passos Coelho, tendo em perspetiva as circunstâncias e o contexto por que estamos a passar, foi um verdadeiro herói dos tempos modernos.
Quer se goste, ou não!
16 de Fevereiro de 2012
Pergunta: Será apenas um ponto de viragem?
O mundo mudou, alguém dizia em jeito de desculpa para apagar a sua insuportável incompetência para gerir um país. O mundo tal como o conhecíamos tem os dias contados e um mundo não ocidental está a desabrochar, com as suas estruturas culturais, as sua forma de organização social, económica, e, até, religiosa. O que não significa a morte do ocidente propriamente dito, mas o seu definhamento.
Em 2008, quando estava prestes a exultar a vitória do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, o edifício Chrysler em Nova Iorque, um dos símbolos do poder financeiros ianque, era comprado por um governo estrangeiro pela quantia módica de 800 milhões de dólares. Não fora nenhum país amigo ou eterno aliado. Foi apenas um fundo de investimento do governo de Abu Dhabi. E, se à data, ninguém conseguia entender o que poderia estar-se passando no mundo, é porque acordou tarde.
É com esta informação aterradora que Dambisa Moyo dá o mote ao seu livro A Decadência do Ocidente. A autora, pouco conhecida em Portugal, tem origem africana e é reputada economista do World Economic Forum, além de escrever em gigantes como Finantial Times, Wall Street Journal e The Economist
.
O livro A Decadência do Ocidente não é literatura fácil sobre o passado glorioso e o futuro imprevisível, nem é um livro técnico. O seu objetivo central é levar-nos a perceber como nós, ocidentais, outrora ricos e poderosos, perdemos poder e influência para um mundo que emergia progressivamente mesmo debaixo do nosso nariz, numa primeira fase por elevados níveis de educação e instrução, depois e mais recentemente pelas influências financeiras quase infinitas.
O livro é muito acessível a qualquer leitor, tem um texto muito bem escrito, arejado, que questiona, mais do que perspetiva, possíveis saídas para os problemas internacionais e diplomáticos que todo o ocidente padece. Se há um verdadeiro livro sobre os fenómenos económicos, mas também civilizacionais, dos últimos 10 anos, é melhor agarrarem a outro.
A Decadência do Ocidente é uma edição da Bertrand Editora. É é uma leitura que não podes perder!
Outras bibliografias: O Mundo Pós-Americano, Fareed Zakaria, Gradiva.
12 de Fevereiro de 2012
De Män som hatar kvinnor
Em exibição nos cinemas de todo o mundo, o filme Os Homens que Odeiam as Mulheres começou por ser um fenómeno meramente literário. O filme, inspirado no thriller policial com o mesmo nome do autor sueco já falecido Stieg Larsson, foi considerado por alguns como um livro de um violência psicológica inaudita e extrema, mas ao ninguém poderá acusar de falta de arrojo, quer na escrita, quer no trabalho argumentativo.
Mas Os Homens que Odeiam as Mulheres é o primeiro livro de um trilogia que promete continuar a dar que falar, e que trazuz a extravagância intelectual de Larsson, sobretudo pelos títulos compridos e sugestivos. Relembre-se que o volume 2 desta trilogia dá pelo nome A Rapariga que sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo, e o volume 3 A Rainha no Palácio das Correntes de Ar.
É de salientar que o recrudescimento dos romances policiais e thrillers psicológicos nórdicos tem vindo a dominar aquelas seções nas livrarias de há alguns anos a esta parte, e conquistou um público diversificado e heterogéneo. do mais vanguardista ao mais conservador. Larsson foi pioneiro, seguiram-se-lhe nomes como Lars Kepler, Yrsa Sigurdadóttir, entre outros.
6 de Fevereiro de 2012
Como se recontrói a esperança?
Harvard Trends, Tendências de Gestão, da editora Vida
Económica, é um livro que não se destina apenas a académicos e gestores de topo,
mas a todos os que, no seu dia a dia, têm como principal atividade gerir e
desenvolver um negócio, uma ideia, ou um serviço, e porque não um blogue. O
livro fala-nos das principais tendências, entre 500 identificadas, da economia,
da gestão, e da liderança, para os próximos tempos, discutidas nos campus da
universidade de Harvard, Estados Unidos da América.
Um livro que é dedicado a todos aqueles que constroem o
futuro, que inovam, que empreendem a sério e fazem a diferença, e que, por
força disto, melhoram o seu país, o planeta, e conseguem trazer a esperança de
volta.
Harvard Trends, Tendências de Gestão não é um livro técnico,
com páginas cheias de termos difíceis de compreender. O discurso é muito
corrente e acessível a todos.
E não será caso para dizer que o mundo mudou com este livro,
mas o conteúdo dos seus textos faz o
mundo mudar, seguramente para melhor.
O livro, em suporte papel, traz a possibilidade de se ganhar o e-book.
9 de Janeiro de 2012
Cultura regional, mas do Mundo também
Em 3 de dezembro último, Paula de Sousa Lima apresentou, em Ponta Delgada, o seu mais recente trabalho de ficção, Os Últimos Dias de Pôncio Pilatos. A Paula tem um currículo que dispensa grandes apresentações. A autora já vai na sua quarta obra de ficção, é professora de Língua Portuguesa, investigadora, ensaísta, e colabora semanalmente com o jornal Açoriano Oriental com uma página totalmente dedicada à língua, à literatura e à cultura portuguesa.
Em 2009 a Paula lançou em Ponta Delgada o seu romance Tempo Adiado, que marcou, na minha opinião, uma viragem na carreira dela. Não foi apenas a maturidade literária que foi confirmada, como marcou o seu lançamento da mesma numa editora de grande prestígio nacional, a ASA. Dois anos volvidos e a Paula regressa com o seu mais recente trabalho publicado noutro nome grande da edição portuguesa, a Casa das Letras, do grupo LeYa, que assumiu os riscos da exigência comercial que o mercado impõe.
Em todo o seu percurso, a Paula conquistou o seu espaço nas letras nacionais, e este quarto romance vem conferir o facto da autora não se confinar ao casulo da ilha para manter a sua reputação principesca. A ambição, a coragem, mas também a tenacidade, foram valores que catapultaram a autora para fora das ilhas, bastando para tal pesquisar o seu nome nas numerosas páginas web, blogues, fóruns de discussão literária, etc. Como também basta ver os seus livros à venda nas grandes cadeias livreiras nacionais.
Outra ilação que a Paula nos ensina é a de que devemos olhar para o futuro com esperança, porque acreditamos que a cultura gera valor de duas ordens: valor material, assim como valor intelectual, este último, considero eu, não tem qualquer preço.
Por último, referência ao magnífico domínio que a autora tem da sua língua mãe, assim como à pesquisa histórica que fez sobre a temática do livro.
3 de Outubro de 2011
Elementar, caro Watson
Elementar, caro Watson, de que quem pagará, impiedosamente, o buraco das contas da região autónoma da Madeira seremos nós todos, portugueses do continente e das ilhas. Elementar, caro Watson, de que seremos todos também a amargar com o buraco com que o país ficou após sete anos de JSócrates. Um foi compadre do outro, sustentaram-se reciprocamente, e, como diz o outro, quem levou a situação até aqui, dificilmente terá a capacidade para dela nos tirar. Portanto, uma reviravolta política na Madeira, seja a favor de quem, será uma novidade interessante no campo político.
O país, no seu todo, precisa de trabalho e de competitividade, de modernização e de criatividade. Sem isso, se o caminho era já estreito, ficaremos sem passagem para a outra margem. Por isso, e por algo mais que não vou dizer, fico abespinhado com greves que durarão uma semana. UMA SEMANA!
Elementar, não, de que sabemos muito bem o que queremos?
16 de Setembro de 2011
A ilha, o jardim, o mistério e alguns segredos
Há mistérios que homem algum conseguirá alguma vez entender, quanto mais compreender. Eu pelo menos não consigo. Hoje o país e o mundo ficaram a saber por fonte oficial de que o governo regional da Madeira tem um mistério de 1681 milhões de euros por explicar. Vamos voltar atrás, vamos repetir o número: 1681 milhões de euros. Este mistério, hediondo e grotesco, vai no futuro ficar nos anais da História. E não é apenas um mistério, é um crime!
Quem esteve atento aos telejornais deve ter reparado na profunda irritação mal disfarçada das principais autoridades europeias quando comentaram esta situação. E, nos próximos tempos, os investidores e as autoridades financeiras europeias não vão seguramente distribuir simpatia e pão de ló.
No entanto, contrariando toda a lógica solidária dos partidos, no concreto entre o PSD nacional e o PSD-Madeira, muito me surpreende positivamente a reacção do atual primeiro ministro quando diz que a situação é uma irregularidade grave e que não há compreensão para que tal acontecesse, e que caberá ao povo da Madeira confiar, ou não, nos atuais políticos nas próximas eleições legislativas regionais. Adianta ainda Pedro Passos Coelho que não haverá tratamento especial para com a região autónoma da Madeira. Absolutamente de acordo!
12 de Julho de 2011
Reboot Restart Reborn
E, sem darmos conta, o país vai progressivamente se habituando a viver em pleno com o acordo que assinamos com a Troika, tem um novo governo, um novo Primeiro-Ministro, novas medidas de austeridade, essas sim perceptíveis, o Sport Lisboa e Benfica tem quase um plantel novo, e a nossa esquerda mais esquerda (PCP + BE) não evoluíram de ontem para cá, e nós já não aguentamos estes dinossauros da política radical que persistem em olhar o mundo com uma certa arrogância e indiferença para o modo como os problemas e as soluções das pessoas realmente evoluem nos tempos em que vivemos.
Sobretudo, e em poucas palavras, o país vive o efeito do arejamento da novidade, da frescura. A escalada do novo Primeiro-Ministro não foi, como não será amanhã, como o sumo de uma laranja doce e sumarenta. Dificilmente se lembrarão sobre um novíssimo Primeiro-Ministro que tivesse, logo à sua entrada no governo, uma carga de trabalhos tão intensa e tão desestruturada, como Pedro Passos Coelho teve. Fruto da herança pesada dos outros.
José Pinto de Sousa, vulgo Sócrates, no governo durante longos períodos de tempo, em que experimentou toda a consorte de responsabilidades, de secretário de estado a ministro, de ministro a primeiro ministro com maioria, deste a primeiro ministro sem maioria, e deste a não ser mais primeiro ministro, deixou-nos virados do avesso e quase de mão estendida, quais pedintes em hora de ponta nos túneis de um metropolitano feio e sujo, vociferando “por favor Europa dê-nos umas moedinhas para vivermos no estado de desgraça socialista por mais uns momentos… “
Porém, já o disseram, a vida continua, e não podemos desculpar-nos com os erros de outros. Todos nós teremos responsabilidades no futuro. Todos nós teremos de ser melhor do que temos sido até hoje. Todos devem dar o melhor de Si para lutar contra interesses instalados em todos os domínios da área social e política. Todos podemos desenvolver uma verdadeira revolução ao contrário e contribuir para que o país não esteja condenado ao fracasso económico e produtivo em que nos trouxeram para aqui. Como diria o título do livro do Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, Portugal na Hora da Verdade. Essa hora é agora!
Como vamos viver um tempo em que confiança é um bem raro, talvez seja tempo de nos reeducarmos, de voltarmos a estudar, progredirmos, modernizarmo-nos, evoluirmos, pois desse modo restabelecemos a esperança de que as nossas vidas voltem a ser mais normais, e objectivamente contribuímos decisivamente para o nosso desenvolvimento. É que dizer que só se compra produto nacional não chega. Vai ser preciso mais.
It is time not only for a change, it is time for reboot!
Sobretudo, e em poucas palavras, o país vive o efeito do arejamento da novidade, da frescura. A escalada do novo Primeiro-Ministro não foi, como não será amanhã, como o sumo de uma laranja doce e sumarenta. Dificilmente se lembrarão sobre um novíssimo Primeiro-Ministro que tivesse, logo à sua entrada no governo, uma carga de trabalhos tão intensa e tão desestruturada, como Pedro Passos Coelho teve. Fruto da herança pesada dos outros.
José Pinto de Sousa, vulgo Sócrates, no governo durante longos períodos de tempo, em que experimentou toda a consorte de responsabilidades, de secretário de estado a ministro, de ministro a primeiro ministro com maioria, deste a primeiro ministro sem maioria, e deste a não ser mais primeiro ministro, deixou-nos virados do avesso e quase de mão estendida, quais pedintes em hora de ponta nos túneis de um metropolitano feio e sujo, vociferando “por favor Europa dê-nos umas moedinhas para vivermos no estado de desgraça socialista por mais uns momentos… “
Porém, já o disseram, a vida continua, e não podemos desculpar-nos com os erros de outros. Todos nós teremos responsabilidades no futuro. Todos nós teremos de ser melhor do que temos sido até hoje. Todos devem dar o melhor de Si para lutar contra interesses instalados em todos os domínios da área social e política. Todos podemos desenvolver uma verdadeira revolução ao contrário e contribuir para que o país não esteja condenado ao fracasso económico e produtivo em que nos trouxeram para aqui. Como diria o título do livro do Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, Portugal na Hora da Verdade. Essa hora é agora!
Como vamos viver um tempo em que confiança é um bem raro, talvez seja tempo de nos reeducarmos, de voltarmos a estudar, progredirmos, modernizarmo-nos, evoluirmos, pois desse modo restabelecemos a esperança de que as nossas vidas voltem a ser mais normais, e objectivamente contribuímos decisivamente para o nosso desenvolvimento. É que dizer que só se compra produto nacional não chega. Vai ser preciso mais.
It is time not only for a change, it is time for reboot!
20 de Maio de 2011
Portugal na hora da verdade
Agora que se aproxima as eleições legislativas nacionais de dia 5 de Junho, e o país de um dos mais importantes momentos de verdade de que tem memória, desenvolvem-se e multiplicam-se os documentos e ensaios sobre o estado da nossa situação económica e financeira, tão necessários para um debate livre e plural sobre o nosso depauperado Estado. Aliás, os últimos meses foram pródigos numa literatura de crise, literatura esta que abordou a demência e miséria nacional em todas as duas vertentes e dimensões.
Acontece que mais um destes documentos veio a lume, da autoria de Álvaro Santos Pereira, português e docente de Política Económica e Desenvolvimento Económico no Canadá. Comoventemente, o autor dedica o livro Portugal na Hora da Verdade, como vencer a crise nacional, às gerações vindouras, nomeando um Miguel, uma Mariana e um Tiago, para rapidamente passar à análise das políticas miserabilistas do Estado português que conduziu ao actual estado, desde o fracasso económico, à exaurida situação da saúde, da justiça e da educação. Tudo é passado a pente fino, nada escapa a Santos Pereira. Mas perdida a primeira década do século XXI, podemos tomar novamente o futuro nas mãos e inverter um processo de miserabilismo permanente. Neste sentido, Santos Pereira aponta caminhos e alternativas, que só quem não sabe ou não quer ouvir, é que tem ignorado ao longo deste últimos anos, como o rigor das contas públicas, dando assim o exemplo aos privados, desenvolver uma marca Portugal que tenha credibilidade no exterior, incentivar a natalidade, atacar a evasão fiscal, entre outras. A lista é muito longa.
Portugal na Hora da Verdade, de Álvaro Santos Pereira, é uma edição da Gradiva.
1 de Maio de 2011
Que mais é preciso, pá, para acordarmos!?
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| Em alguns aspectos do nosso quotidiano, a continuarmos assim, vamos retroceder seguramente uns 50 ou 60 anos! |
O Canal Portugal, emitindo ininterruptamente em sinal aberto para todo o mundo livre, é um indefectível desfile, qual parada macabra, de ilusionistas, contorcionistas, anões malabaristas, palhaços decadentes, bailarinas em final de carreira, domadores de feras adormecidas, e toda a consorte de indivíduos que nos fazem por divertir e deixar bem-dispostos. E se, alguns, ao sintonizarem o Canal Portugal, se deixam entorpecer por essas vitrines de truques e manhas, mentiras e paradoxos, intrigas e tramas, outros fingem assobiar para o lado, como se não tivessem nada que ver com o assunto. Mas o melhor de tudo, é que esses assobiadores para o lado têm tudo que ver com a solução do problema, e devem desentorpecer e dessintonizar de uma roda-viva mediática que não permite raciocinar de uma forma objectiva e ter uma visão de futuro para as suas vidas, assim como os demais concidadãos, assim como para o país.
Ou acham que não tem razão Eduardo Catroga, quando diz que os governos de JSócrates hipotecaram o futuro financeiro de Portugal, e que ele se prepara para continuar a iludir os portugueses com aquele abotoado modo-vítima”;
Ou acham que não tem razão Eduardo Lourenço, quando diz que a situação do país é uma “espécie de pesadelo” para o qual não tem existido um piloto;
Ou acham que não tem razão o Manifesto para um mundo melhor quando tem escrito: a democracia tem que conter a crítica de si própria, de modo a que se reinventem as regras que nos governam;
Ou acham que não têm razão as dezenas, ou mesmo centenas, de individualidades, e de inúmeros anónimos terem dito o que disseram sobre a nossa governação recente e sobre os responsáveis políticos e operacionais da situação CATASTRÓFICA que nos deixaram, e às gerações futuras.
AFINAL QUE MAIS É PRECISO, PÁ, PARA ACORDARMOS E MOSTRARMOS O QUANTO ESTAMOS PREOCUPADOS E INDIGNADOS!?
E não venham dizer, naquele brando tom português, que é a vida, que é o nosso fatal destino. A culpa acabará por ser nossa se não nos mexermos para MUDAR em 5 de junho o estado de coisas em que temos vivido.
24 de Abril de 2011
Theodor Busbeck, by Gonçalo M. Tavares
um homem que não procure Deus é louco. E um louco deve ser tratado.
in Jerusálem, Gonçalo M. Tavares, Caminho, pág. 61
Jerusálem, de Gonçalo M. Tavares, é um livro que nos faz reflectir, entre outras coisas, nos limites individuais do ser humano em condicionar a liberdade dos outros.
Theodor Busbeck é médico, e numa das suas consultas apaixona-se por uma paciente, que tinha apenas uns sabidos e emancipados 18 anos, Mylia, arrastada pelos seus pais até ao consultório por sofrer de aparições. Mylia, ela própria, considera-se louca e esquizofrénica. Perigosa, ou não, Busbeck acaba por amá-la e, consequentemente, mesmo com a perplexidade de todos, casam-se.
Pouco tempo passa das eternas juras matrimoniais, e a doença de Mylia entra numa escalada de demência cada vez maior, ao mesmo tempo que o médico Busbeck leva a cabo uma intrigante investigação sobre o horror desde que existem registo históricos da Humanidade. Mylia é então internada numa clínica para doentes mentais. Aí conhece Ernst Spengler, outro louco, com quem virá a ter relações sexuais que resultam numa gravidez. Informado da situação, Busbeck é indemnizado pela direcção da clínica, e exige que o filho nascido daquela relação adúltera lhe fosse entregue logo a seguir ao nascimento. Assim se faz. Em consequência, Theodor e Mylia divorciam-se, e o médico será o responsável pela educação de Kaas, o filho. Mylia nunca mais poderá vir a ter contacto com o filho, mesmo que um dia se cure e abandone a clínica...
Na minha modesta opinião, Gonçalo M. Tavares, não sendo o escritor aprumadinho e bonitinho como muitos gostam, que escrevem belas e harmoniosas histórias de amor e ódio, é um dos autores mais originais e criativos da língua de Camões. Pessoalmente, julgo que a leitura deste Jerusálem está reservada a um público muito restricto, não porque se trate de um livro elitista, mas antes por ser uma experiência, por vezes, dura, sobretudo para quem procura na literatura puro entretenimento.
Próximo livro a ler deste autor: Uma viagem à Índia, Caminho.
PS - Dentro de alguns dias, começa mais uma Feira do Livro de Lisboa, a 81ª, que contará com cerca de 600 títulos açorianos, um bom sinal de que vamos estar bem representados pelas editoras regionais. Ver notícia aqui.
22 de Abril de 2011
Para quem não foi de férias para o Algarve,,,
Henrique Monteiro, in Expresso, 22/04/2011
17 de Abril de 2011
Do negro e do caos, uma revelação literária
Há muito que adiara ler algum livro deste autor. Gonçalo M. Tavares, português de nascença, 40 anos apenas, coleccionador implacável de prémios literários desde há pelo menos 10 anos, sucesso literário atrás de sucesso literário, personalidade reservada (não gosta muito de dar entrevistas, pelo menos a blogues!!!). Em Jerusalém, da Caminho, livro que escolhi para começar, devido ao conselho de um amigo, tem uma escrita torrencial, negra, crua, desenvolta, em que o caos parece estar sempre presente, sempre prestes a acontecer, povoando o autor os espaços, despojados, de personagens que vivem em permanentes encruzilhadas mentais. Uma voz original e um estilo único, GMT também é autor de Aprender a rezar na era da técnica, Viagem à Índia, entre outros. É um conselho de amigo!
14 de Abril de 2011
À beira da ruína tomam-se boas decisões
Público online
Strauss Kahn, director geral do FMI, em declarações feitas à TVI, afirma: “Não me cabe a mim atirar culpas para ninguém. Mas foi o que aconteceu e agora vocês têm que voltar a entrar nos eixos de uma forma ou de outra”. Mas nós, portugueses, sabemos em quem recai 90% da responsabilidade, e devemos estar bem elucidados do que nos iria acontecer se continuássemos a acreditar no conto do vigário. Isto para dizer que erros qualquer um comete, mas errar três vezes, em tão curto espaço de tempo, é negarmo-nos a nós próprios a capacidade de raciocínio e de espírito crítico.
Ou ainda mais simples: as eleições de 5 de junho, mais do que um acto eleitoral, é uma decisão que compromete o nosso futuro. Uma má decisão terá impacto negativo imprevisível.
10 de Abril de 2011
Havia necessidade disto ??
Temos estado a pensar sobre a qualidade da democracia em Portugal, em geral, e dos políticos que temos, em particular. Ou, pelo menos, de alguns políticos. É uma preocupação séria. E deve ser levada a sério. Se o país está à beira da ruína - já ninguém escamoteia a realidade: PSD, PS, CDS-PP, PCP, BE - não faz sentido algum que os actuais políticos se mantenham teimosamente no poder apenas por uma questão de orgulho. Se eles, e apenas eles, nos mandaram para um beco, de consequêncais imprevisíveis, não é possível que vislubrem a saída. Não é possível mesmo. Persistir em dar-lhes o poder, ainda que em eleições livres e universais, não faz qualquer sentido, e seria a democracia a funcionar ao contrário. Tem vindo de todos os quadrantes da direita, da esquerda, das élites, do empresariado, das centrais sindicais, das profundezas da Amazónia, de um sem número de instituições e organizações, nacionais e estrangeiras, esse grito misto de emoção e desejo, de cansaço e aborrecimento: CHEGA! BASTA!
Teríamos uma democracia mais rica, mais madura, mais consolidada, se no congresso do PS deste fim-de-semana, tivesse saído outro secretário-geral que encabeçasse um projecto de Mudança genuína. Mas tal não aconteceu. Infelizmente. Perdeu a democracia. Perdemos todos nós. Resta-nos a esperança de que a democracia, per si, regenere o bom senso e a transparência de que tanto vamos precisar, e que a mesma democracia gere a/s alternativa/s necessárias. E também a esperança de que o PS regresse dentro de momentos à normalidade. Obviamente, pergunta-se: Havia necessidade disto?
4 de Abril de 2011
Onde estava você no dia 21 de Março?
(Algures no Planeta há um povo que faz umas perguntas assim para o bizarro!)
Este fim de semana cumpri com o dever de qualquer cidadão responsável: preenchi online os Censos 2011. Mas qual não foi o espanto à pergunta "Às zero horas do dia 21 de Março estava presente no alojamento? Assinale 'Sim' no caso de não ter estado presente às zero horas do dia 21 de Março mas regressou ao alojamento até às 12 horas deste mesmo dia".
Agora pergunto: que raciocínio, ou raciocínios, estão subjacentes a esta pergunta bizarra e descabida? Que conclusão, ou que estatística vão aferir daqui?
Lembra-me uma famosa piada hermaniana de há uns anos...
Mais informação aqui: http://www.publico.pt/Sociedade/ine-obrigado-a-retirar-perguntas-para-o-censos_1488203
Mais informação aqui: http://www.publico.pt/Sociedade/ine-obrigado-a-retirar-perguntas-para-o-censos_1488203
1 de Abril de 2011
Vistas curtas X vistas largas
Finalmente, como se nada tivesse já previsto, temos eleições à vista. É complexo dizer-se se o país económico precisava de um acto eleitoral agora. Mas o mesmo não se pode dizer do país político. É importante, será importante, uma clarificação do país político, de quem vai conduzir os nossos destinos, e de quem nos vai representar no parlamento nacional. Sou daqueles que acredita que o país não tinha nada a ganhar no médio e longo termo se continuasse com um governo que claramente se tem barricado nas trincheiras de um patriotismo pueril e de que agora é que vamos salvar a pátria dos diabos dos mercados. Ha dois anos atrás, talvez ainda acreditássemos, mas em 2011... Já vão tarde!
Sem desejar entrar no queixume demagógico que isto está tudo mal, a verdade é que cada dia que passa, desde há já muito tempo, a situação social, económica e financeira, veia a degradar-se. Sobretudo a social, que é também aquela que leva mais tempo a evoluir e a desenvolver-se. Foram muitos anos de facilitismo social sem pedir nada em troca, como por exemplo o arranjo dos canteiros da freguesia, ou a limpeza da orla costeira, limpeza de matas, qualquer coisa que fosse útil à sociedade. Mas não foi apenas isso.
Quer-nos parecer que qualquer coisa falhou na governação. Um falhanço irreversível e que já está a custar caro aos portugueses. Analisando diversas variantes e diversos indicadores, em Portugal paga-se impostos verdadeiramente bárbaros. E não é desde há um ano, ou dois, é de há muitos anos a esta parte. Ora, agora é preciso serenidade e esperança. O país não está perdido. Merece uma oportunidade. Merece uma mudança E desta vez espero que muito séria!
Provavelmente alguns dirão de estas ideias são de vistas curtas. Talvez! Mas decerto que as ideias destes alguns não têm sido muito de vistas largas. Ou então é uma questão de perspectiva circunstancial.
18 de Março de 2011
Seguramente, não são farinhas do mesmo saco
O país anda nervoso, assim os portugueses, assim a classe política, assim os mercados. A ameaça de uma crise política está a tomar proporções muito para além daquelas que seriam normais. Ou seja: se há uma crise política instalada, mais importante do que saber quem a provocou (Pinto culpará Coelho, Coelho culpará Pinto), é saber qual o leque de opções que os portugueses têm. Quanto mais depressa decidirmos sobre o caminho a seguir, mais depressa vamos trabalhar para sair deste mega-impasse em que vivemos mergulhados há meses.
No entanto, esclareçamo-nos num aspecto: uma crise, mesmo que política, não é o fim do mundo, e tendo em conta a situação difícil em que o país se encontra, não sei se o melhor não é mesmo que ela ajude a regenerar e a reorientar o rumo a que nos fomos conformando nos últimos anos.
O actual governo está muito desgastado. Não há dia, semana, ou mês que passe sem que existam polémicas e animosidades na governação, mesmo em sectores onde ainda há pouco tempo havia alguma paz, e em que as políticas sejam remendadas com discursos rectificativos que têm por objectivo o efeito mediático e imediatista de quem anda desorientado e já pouco tem a dar ao país.
Agora andamos todos novamente a falar de crise em torno do PEC 4, daqui a uns meses teremos um PEC 5, depois vem o orçamento de estado, mais austeridade, mais não sei quê, mais não sei que mais... Vai ser uma gigantesca roda viva de contactos, reuniões, conferências de imprensa, desentendimentos, desinformação, horas e horas gastas na TV e na imprensa, para, em bom rigor, não revolver problema nenhum. Portanto, já é suficiente, foi bom enquanto durou, mas temos de ir em frente porque atrás vem gente. A queda de um governo, ou em bom senso a sua demissão, não é nenhum drama, nem é vergonha, nem fraqueza, nem estupidez. É o seu contrário. E é isso que meio país tem vindo a dizer de todas as formas possíveis. E isso não tem encontrado eco em quem de direito.
O país precisa de empreendedorismo, de emprego, de ideias inovadoras, de transparência, de democracia, de responsabilidade, de liderança, de criatividade, de ideias, de projectos, e de trabalho, muito trabalho. E também precisa de todos, sem excepção.
(Post escrito ainda sem as regras do novo acordo ortográfico).
No entanto, esclareçamo-nos num aspecto: uma crise, mesmo que política, não é o fim do mundo, e tendo em conta a situação difícil em que o país se encontra, não sei se o melhor não é mesmo que ela ajude a regenerar e a reorientar o rumo a que nos fomos conformando nos últimos anos.
O actual governo está muito desgastado. Não há dia, semana, ou mês que passe sem que existam polémicas e animosidades na governação, mesmo em sectores onde ainda há pouco tempo havia alguma paz, e em que as políticas sejam remendadas com discursos rectificativos que têm por objectivo o efeito mediático e imediatista de quem anda desorientado e já pouco tem a dar ao país.
Agora andamos todos novamente a falar de crise em torno do PEC 4, daqui a uns meses teremos um PEC 5, depois vem o orçamento de estado, mais austeridade, mais não sei quê, mais não sei que mais... Vai ser uma gigantesca roda viva de contactos, reuniões, conferências de imprensa, desentendimentos, desinformação, horas e horas gastas na TV e na imprensa, para, em bom rigor, não revolver problema nenhum. Portanto, já é suficiente, foi bom enquanto durou, mas temos de ir em frente porque atrás vem gente. A queda de um governo, ou em bom senso a sua demissão, não é nenhum drama, nem é vergonha, nem fraqueza, nem estupidez. É o seu contrário. E é isso que meio país tem vindo a dizer de todas as formas possíveis. E isso não tem encontrado eco em quem de direito.
O país precisa de empreendedorismo, de emprego, de ideias inovadoras, de transparência, de democracia, de responsabilidade, de liderança, de criatividade, de ideias, de projectos, e de trabalho, muito trabalho. E também precisa de todos, sem excepção.
(Post escrito ainda sem as regras do novo acordo ortográfico).
4 de Março de 2011
Um pouco da história dos Açores
José Medeiros Ferreira (n. 1942) tem a particularidade de não ser só natural dos Açores. É ex-governante, político, intelectual, licenciado em Filosofia, em História, doutorado em História Contemporânea, especialista em Relações Internacionais, blogger, autor, entre outros ofícios. Acrescentamos hoje a essa longa lista, a sua faceta de ensaísta, no livro Os Açores na política internacional, conjunto de textos que pretendem reflectir sobre a importância geo-estratégica do arquipélago, desde os primeiros anos do século XX, se bem que saibamos que essa mesma importância é tão original quanto a descoberta e povoamento há mais ou menos 500 anos. Ou seja: desde sempre que os Açores foram uma região determinante localizada no meio do Atlântico e no meio das viagens que se faziam para qualquer destino geográfico. Um livro que nos leva a conhecer e a descobrir um pouco da história dos Açores, uma visão desafectada de quem vive lá, do outro lado, em Lisboa, e se sente distanciado para escrever sobre a sua terra. Os factos políticos e estratégicos mais relevantes do século XX açoriano são esquadrinhados neste livros que estará nas bocas do nosso micro-mundo nos próximos meses. Os Açores na política nacional é uma edição Tinta da China.
É no contexto da Primeira Guerra Mundial que se dá a grande divisão das influências exteriores por ilhas: os alemães recuam na Horta, os ingleses passam a dominar as comunicações dos cabos submarinos que aí amarram. Já na Ilha de São Miguel serão os norte-americanos a instalar, apenas alguns meses decorridos depois da entrada na Guerra, um depósito de carvão e uma base naval em Ponta Delgada, o que retirará à Horta o papel de porto estratégico no arquipélago dos Açores. Com a Segunda Guerra Mundial, e a hegemonia da aviação, a construção de aeroportos de raiz nas Ilhas Terceira e Santa Maria, acabará por dispersar as influências externas por várias ilhas. pág. 52
19 de Fevereiro de 2011
Parvos é o que eles definitivamente não são
Já o grande Luís Vaz dizia que mudando-se os tempos, as vontades de igual modo vão mudando. Não foi bem assim, mas o itálico permite-me usar livremente as ideias e não as palavras tal qual. E muito bem percebeu Luís Vaz os sentidos mais recônditos destas ideias, sendo ele vítima-mor das mudanças efémeras do seu tempo. Isto a propósito de uma música dos Deolinda ("Que parva que eu sou") que está a fazer, de há semanas para cá, um furor anormal na internet, e que alguns tentam que a canção se transforme numa espécie de hino geracional de revolta contra a política do país. Sinceramente, acho que não é bem isso. A espontaneidade da canção não apela à revolta de nada, nem de ninguém. Não é um grito geracional: parece-me mais uma impressão de todas as gerações desapontadas, dos pequeninos aos grandes. A questão é, bem se vê, mais profunda e complexa, e só o tempo nos dará a resposta que esperamos. A canção prepara os fundamentos da mudança: quando o onde ocorrerá, ninguém sabe responder. Ou pensavam que o tempo e as vontades iam ficar na mesma?
16 de Fevereiro de 2011
Desabafo quase em hora de ir dormir...
Há quem deseje ter mais tempo para jogar golfe; Há mesmo quem invente tempo para ir ao ginásio; Outros perdem o seu tempo à volta de mesa, iguarias e combinações exóticas de paladares para alimentar os sentidos; Há quem passe horas a ver jogos de bola; Há quem desespere por viajar; Há ainda aqueles que se cansam de dançar até de madrugada; Aqueles que esperam demasiado tempo por uma consulta médica; Há quem passe a vida inteira a sonhar com o automóvel dos seus sonhos; Há quem espere pelos sonhos; Há quem espere na paragem do autocarro; Há quem espere na fila para comprar bilhete; Há quem tenha sempre o sentido do futuro; Há quem construa pontes milenares; Há quem destrua tudo num só segundo; Há quem concretize as suas ideias e projectos; Há quem não espere nada de nada; Há quem não queira saber; E há ainda aqueles que não querem esperar. Mas tudo bem: it's a free world!
12 de Fevereiro de 2011
Incêndio hoje em Ponta Delgada
Esta foi a melhor imagem que captei do incêndio hoje na baixa de Ponta Delgada, mais precisamente nas antigas instalações da RTP-Açores. Por questões de segurança, fui afastado do local pela PSP. Felizmente acabou tudo bem!
10 de Fevereiro de 2011
Ou não gostam de nós...
Segundo uma notícia do Diário Económico de hoje, o risco da dívida portuguesa é o que sobe mais em todo o mundo. Impõe-se responder rapidamente a uma pergunta: ou os mercados e os investidores não gostam de nós... Ou... como dizem alguns: somos muito incompetentes.
Espero honestamente que seja o caso de não gostarem de nós...
9 de Fevereiro de 2011
Sugestão de Leitura para o fim de semana, ;)
O fim de semana ainda está longe, vamos enganando como podemos a 5 e a 6ª feira que ainda falta, e depois ei-lo, em cheio, o firm de semana. Assim desde segunda feira. Um irracional desejo de que ele chegue rapidamente. E os dias correm insuportáveis, descartáveis, pouco impressionáveis. Ao mesmo tempo que milhões de portugueses arrastam as cadeiras dos escritórios do país para ver se enganam mais uma tarde de trabalho, para que o tempo passe depressa. Para se arrastarem e buzinarem para casa, em longas filas de trânsito que os rouba meses, anos de vida. Arrastam-se os portugueses, mais as cadeiras onde eles se sentam, arrasta-se o país pelo mundo na sua tamanha pequenez, na cada vez mais gradual pequenez a que somos sujeitos à noite nas notícias dos diversos canais. Ainda há a literatura. A santa e sábia literatura! E o fim de semana! ~
Ah... a sugestão de leitura, é verdade: Se gostaste da Escola, vais adorar o Trabalho, Irvine Welsh, editora Quetzal.
7 de Fevereiro de 2011
Enjoy the Silence
Vou tentar escrever o meu primeiro post de fevereiro sem entrar nas coisinhas pequenas da vida, que bem que apetecia, mas isso seria desviar-me do que eu realmente quero dizer.
Ora, já o disse aqui, repito: ter um blogue não é fácil. É preciso tempo para escrever; tempo para pesquisar sobre assuntos que muitas vezes dominamos apenas da bancada; é preciso alguma imaginação; em alguns momentos chega mesmo a ser preciso um bom estômago para ler opiniões que diferem da nossa. E ainda há que ser paciente com uma franja de anónimos sempre bem dispostos com a vida e sempre prontos para tornar o nosso dia num dia alegre, e, presumo, bem disposto também.
Risos!
Há dias que nos apetece dizer/escrever umas quantas coisas, mas ou por delicadeza, ou por questões sociais, ou por outras que muitas vezes não dominamos bem, calamo-nos. Normalmente, a nossa razão individual é mais sábia no silêncio do que no meio da turba. Com um pouco de esforço, talvez de conhecimento, a Arte ajuda-nos a controlar e a conhecer as forças que não dominamos. E então sim, seguimos em frente!
Muitos risos!
27 de Janeiro de 2011
Os Empreendedores
Porque repetida muitas vezes por múltiplos sectores da sociedade (empresários, centrais sindicais, poder político, estruturas religiosas, etc), dizer que vivemos uma situação social e económica conturbada pode parecer uma trivialidade sem alcance nenhum. Essas mesmas palavras encontraram eco em todas as formas de comunicação disponíveis: colunas de opinião, blogues, palestras, fóruns especializados, seminários, etc. Contudo, a situação conturbada por que passamos parece estar mal circunscrita à crise financeira e à debilidade económica, provada pelas inúmeras insolvências e o crescente desemprego.
Vejamos para além dessas fronteiras.
A dita crise, repetida até à exaustão, reflecte-se em a toda a dimensão social, e não pode ser controlada apenas com uma visão estreita da realidade.
Teria o maior gosto que no meu país se medisse a crise para além da fronteira económica-financeira.
Por exemplo, já devem ter reparado que o sector mais comummente aceite para o desenvolvimento de um país evoluído é a Educação, e que o mesmo tem sido sucessivamente privado de investimento útil e adequado! Já pensaram que o desinvestimento que se verifica na Escola portuguesa terá um impacto negativo no futuro de dezenas de milhar de alunos num futuro próximo? Já pensaram que cabe ao Estado, em primeiro lugar, a função de investir e desenvolver a Escola?
O Estado deve promover um tecido escolar estável. Ao invés de desinvestir, o Estado deve procurar reequipar a Escola com recursos financeiros, técnicos, pedagógicos e científicos que produza vagas de criticismo e espírito científico que mais tarde estarão disponíveis para empreender projectos inovadores, que geram empregos sustentáveis, e estes desenvolvimento económico e progresso social.
Não me arrogo de ter uma varinha mágica, ou de achar no direito de que estas ideias são mais pertinentes do que as dos técnicos mais habilitados (poder político inclusivê) definem. Mas, talvez, fosse profícuo parar um pouco para reflectir e até mesmo escutar algumas vozes relevantes que têm vindo a público defender uma Escola estável e com visão estratégica de futuro.
Por muitas voltas que se dê às questões económicas, a cultura de empreendedorismo e de inovação que se prentede - e que contribuirá certamente para inverter a melancolia em que nos afundamos - passará sempre pelo desenvolvimento da Escola. Os alunos precisam, e atrevo-me a dizer que necessitam dela para traçarem os seus projectos e objectivos de vida!
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Debate Público
26 de Janeiro de 2011
Ora ponham-se no lugar dele!
Na sinopse pode ler-se o seguinte: "Num mundo de competição global e numa época em que a reputação de uma organização ou de um líder pode ser arruinada com um simples clique, a transparência torna-se muitas vezes uma questão de sobrevivência".
O livro Transparência, como os líderes podem criar uma cultura de sinceridade (edição da Gradiva) juntou três gurus mundiais de campos diversos da investigação humana e social: Daniel Goleman, Warren Bennis, James O'Toole e ainda Patricia Ward Biederman.
Nestes últimos dias, alguma coisa me atraiu neste livro, levou-me a tirá-lo da estante e voltar a reler algumas das suas páginas. Não é intenção reaprender um código de conduta ou uma moral, mas pareceu-me pertinente compreender as razões que levaram o recém-eleito presidente, Aníbal Cavaco Silva, no último domingo, a ter o discurso que teve no momento da vitória. Foi um discurso duro, pouco amistoso, mas que outra saída deixaram os seus adversários depois de semanas consecutivas de ataque cerrado à sua vida pessoal e, pior, ao seu carácter? É claro que Cavaco poderia ter convidado os seus adversários detractores (Alegre + Nobre + Lopes + Coelho + Moura) para um almoço de cortesia, e com isso talvez ganhasse uma invejável sobranceria ética sobre esses mesmos senhores. Talvez pudesse ter-se dirigido a eles com um tom mais complacente e generoso. Talvez até poderia ter ignorado todos os ataques de que foi alvo. Mas talvez expressa uma dúvida que talvez expresse uma digna revolta. E, mais grave, custa-nos aceitar que mesmo passados dois dias da vitória de ACS, se continue a fazer eco de um discurso dito rancoroso, dito ressabiado, dito pouco generoso. Sobretudo de sectores com responsabilidades políticas que sentem cada vez menos os seus argumentos como válidos para inverterem os problemas que o país atravessa.
Nos boletins de voto, Aníbal Cavaco Silva não terá sido a melhor opção de escolha para muitos portugueses. Mas muitos portugueses não votaram por uma questão de estilo ou de estética. Votam na pessoa ou no projecto que lhes merecem a confiança e a credibilidade.
Aníbal Cavaco Silva conteve-se de reagir durante semanas das intenções mais bizarras e acrimoniosas: pediram a sua demissão; que suspendesse o mandato de presidente (para quê, para ir ajudar a fazer as contas do governo?); que esclarecesse a permuta de um terreno; houve quem fosse até à casa de férias do senhor com um batalhão de repórteres numa das romarias mais cínicas de que tenho memória; vieram gentes de Boliqueime maldizer do senhor... Por tudo isso, acredito que o copo tenha transbordado, e o discurso é um ponto final bem rematado.
Desenganem-se, pois, aqueles que julgam que vem aí um tempo de vinganças e perseguições institucionais, ajustes de contas palacianos, e toda a consorte de maldições próprias daqueles que, por limitação de carácter, verdadeiramente não têm mais nada para demonstrar.
O livro Transparência, como os líderes podem criar uma cultura de sinceridade (edição da Gradiva) juntou três gurus mundiais de campos diversos da investigação humana e social: Daniel Goleman, Warren Bennis, James O'Toole e ainda Patricia Ward Biederman.
Nestes últimos dias, alguma coisa me atraiu neste livro, levou-me a tirá-lo da estante e voltar a reler algumas das suas páginas. Não é intenção reaprender um código de conduta ou uma moral, mas pareceu-me pertinente compreender as razões que levaram o recém-eleito presidente, Aníbal Cavaco Silva, no último domingo, a ter o discurso que teve no momento da vitória. Foi um discurso duro, pouco amistoso, mas que outra saída deixaram os seus adversários depois de semanas consecutivas de ataque cerrado à sua vida pessoal e, pior, ao seu carácter? É claro que Cavaco poderia ter convidado os seus adversários detractores (Alegre + Nobre + Lopes + Coelho + Moura) para um almoço de cortesia, e com isso talvez ganhasse uma invejável sobranceria ética sobre esses mesmos senhores. Talvez pudesse ter-se dirigido a eles com um tom mais complacente e generoso. Talvez até poderia ter ignorado todos os ataques de que foi alvo. Mas talvez expressa uma dúvida que talvez expresse uma digna revolta. E, mais grave, custa-nos aceitar que mesmo passados dois dias da vitória de ACS, se continue a fazer eco de um discurso dito rancoroso, dito ressabiado, dito pouco generoso. Sobretudo de sectores com responsabilidades políticas que sentem cada vez menos os seus argumentos como válidos para inverterem os problemas que o país atravessa.
Nos boletins de voto, Aníbal Cavaco Silva não terá sido a melhor opção de escolha para muitos portugueses. Mas muitos portugueses não votaram por uma questão de estilo ou de estética. Votam na pessoa ou no projecto que lhes merecem a confiança e a credibilidade.
Aníbal Cavaco Silva conteve-se de reagir durante semanas das intenções mais bizarras e acrimoniosas: pediram a sua demissão; que suspendesse o mandato de presidente (para quê, para ir ajudar a fazer as contas do governo?); que esclarecesse a permuta de um terreno; houve quem fosse até à casa de férias do senhor com um batalhão de repórteres numa das romarias mais cínicas de que tenho memória; vieram gentes de Boliqueime maldizer do senhor... Por tudo isso, acredito que o copo tenha transbordado, e o discurso é um ponto final bem rematado.
Desenganem-se, pois, aqueles que julgam que vem aí um tempo de vinganças e perseguições institucionais, ajustes de contas palacianos, e toda a consorte de maldições próprias daqueles que, por limitação de carácter, verdadeiramente não têm mais nada para demonstrar.
E convenhamos dizer que Aníbal Cavaco Silva tem uma personalidade sui generis, admitamo-lo sem falsas reservas. Não é fácil por vezes aderirmos ao seu modus operandi. Mas a pergunta que se coloca é a seguinte: não terá tido ele legitimidade nas palavras que utilizou no discurso da vitória? Porque honestamente: coitadinhos dos visados, só faltava mesmo exporem as feridas, quais ofendidas virgens!
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